Post originalmente publicado no Blog Soul Social, da Plataforma Soul Social - Ideias e Projetos.
Por Thiago Ribeiro
Em diversas oportunidades, quando foi preciso explicar o que era o financiamento colaborativo (90% das conversas que tive por ai), usei o Programa Criança Esperança como uma referência de sucesso do Crowdfunding no Brasil, mas sempre o fiz sem muita reflexão. A ideia desse post é analisar os elementos fundamentais que compõem o modelo de crowdfunding à luz do Programa Criança Esperança e demonstrar as razões para seu enorme sucesso ao longo desses mais de 20 anos.
O Programa Criança Esperança está em andamento desde o ano de 1986, e até o ano de 2003 ocorria em parceria entre a UNICEF e a Rede Globo. Desde 2004, quem é responsável pela gestão dos recursos arrecadados pela campanha é a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, que substituiu a UNICEF[1] e cumpre papel fundamental para a credibilidade do Programa.
Nessa tarefa de dissecar o Programa podemos perceber a presença de elementos comuns em todos os processos de financiamento colaborativo, quais sejam:
1) Existe uma CAUSA e PROJETOS a serem financiados;
2) Existe uma CAMPANHA, pensada, planejada e estruturada;
3) Os dois principais PROPONENTES do Programa lhe conferem:
- CREDIBILIDADE – UNESCO;
- PODER de Mobilização – Rede Globo.
4) Os artistas e personalidades ENGAJADOS sensibilizam as pessoas e aumentam a taxa de conversão dos apoios;
5) As pessoas podem APOIAR voluntariamente o Programa com PEQUENOS VALORES, através de PLATAFORMAS (telefone e Internet) de fácil acesso;
6) Os shows amarram o ciclo, promovendo a ATRATIVIDADE do Programa e funcionam como uma espécie de CONTRAPARTIDA aos apoios recebidos.
Enfim, se pudéssemos pensar em condições ideais e na presença de todos os elementos que garantem o sucesso de uma campanha de crowdfunding, o Criança Esperança seria o ULTIMATE CROWDFUNDING!
O Programa já faz parte da nossa vida, é conhecido pela grande maioria das pessoas (awareness). Defende uma causa de grande penetração (crianças carentes) e que sensibiliza a maior parte dos potenciais doadores. Os projetos são referenciados e monitorados por uma organização internacional que presta contas mundialmente, ligada a ONU. A Rede Globo é uma das maiores empresas de comunicação do mundo, presente em 100% dos lares que possuem televisão no Brasil, além das outras mídias impressas e digitais, que lhe conferem, virtualmente, a capacidade de atingir a totalidade dos potenciais doadores para o Programa.
Soma-se a isso a experiência, o profissionalismo e a organização da campanha, bem como os diversos artistas e personalidades que se engajam na campanha e apoiam a causa, a começar pela figura de Renato Aragão (que atravessa gerações) e comanda o Criança Esperança.
Não bastasse todos esses fatores presentes, ainda há os shows de artistas em destaque e com padrão mundial de produção.
Por todos essas variáveis coordenadas, penso que o máximo que uma CAUSA possa arrecadar com o crowdfunding no Brasil esteja referenciado hoje pelo Criança Esperança.
[1] Penso que, com a evolução dos indicadores nacionais, a missão da UNESCO passa a responder melhor às necessidades de nossas crianças, por isso substitui o Fundo da Infância nessa empreitada.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (em inglês United Nations Children’s Fund - UNICEF) é uma agência das Nações Unidas que tem como objetivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades básicas e contribuir para o seu pleno desenvolvimento. (Wikipedia)